Goiânia fará 93 anos. E ainda cresce sem parar. Devo avisá-la: vai com calma! Às vezes, parece que o tempo aqui corre em disparada, como se a cidade tivesse medo de perder o trem da modernidade que ela mesma ajudou a construir. Nascida do traço de Attilio Corrêa Lima, cresceu sob as mãos de tantos outros e foi se tornando uma síntese de sonhos, trabalho e poeira. Hoje, o que resta desse começo, ainda pulsa nas esquinas, nas sombras das sibipirunas, nas histórias que o vento sopra nas varandas. Às vezes, penso que a cidade anda com pressa demais para ouvir o próprio coração. A sua beleza não está apenas nas avenidas ou nos edifícios que desenham o horizonte. Está na lembrança do tempo em que os nomes das ruas tinham sentido, e a gente ainda sabia quem morava nelas. Não há cidade sem memória, e não há futuro sem raízes, e as suas estão no cerrado, no traço de quem acreditou que o centro do país podia ser, também, o núcleo de um novo tempo. Essa utopia ainda vive. ( Jacira Rosa Pires)
121 páginas
Tamanho: 16 cm x 23 cm
Papel de miolo: pólen 90g
Capa: cartão 280g
























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